Três mil moradores da Zona Sul fazem abaixo-assinado pedindo uma maior fiscalização das sinaleiras de advertência para pedestres, instaladas nas entradas e saídas das garagens. Muitos prédios não cumprem a legislação, que prevê o desligamento dos alarmes à noite e, além disso, utilizam sirenes com volume acima do permitido.
Da janela de casa, seu Antônio ouve o barulho que vem do outro lado da rua: a sinaleira da garagem vizinha.
"Eles deixam a sinaleira ligada, a qualquer hora, às vezes eu acordo às 4h da manhã com a sinaleira ligada. O cidadão carioca hoje vive num inferno no Rio de Janeiro, por que as sinaleiras tocam a qualquer hora", diz Antônio Alves, paisagista.
Elas estão em quase todas as ruas da cidade e são alvo de reclamações. Três mil moradores da Zona Sul fizeram um abaixo-assinado que será encaminhado à Câmara dos Vereadores.
"A Secretaria de Meio Ambiente não fiscaliza nada. Durante o dia eles até respeitam, agora, de noite, desrespeitam, sem a menor consideração. É uma irresponsabilidade total, e desumana, porque as pessoas querem dormir e realmente, às 4h ou 5h da manhã, e sem mais nem menos toca, dispara essa praga. Isso é uma verdadeira praga! Nós vamos fazer de tudo, não vamos descansar enquanto não acabar com isso", assegura Pedro Paulo Gonçalves, economista.
Para diminuir o ruído, um porteiro encontrou uma solução simples: colou uma fita isolante no aparelho.
Há 17 anos, a Lei Municipal nº 938 determina que todo prédio com garagem é obrigado a ter a sinaleira de advertência para pedestres. O som do equipamento não pode ultrapassar os 85 decibéis nem durar mais de 30 segundos. Além disso, o sonorizador deve ser desligado entre 10h da noite e 6h da manhã.
É à noite que muitos edifícios não respeitam a lei, que permite que apenas os sinais luminosos fiquem acesos.
"Eu recebo sempre reclamação do alarme aí, da sirenezinha", confirma Rosival da Silva, porteiro.
A fiscalização é responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Quem não respeitar está sujeito à notificação e multa de até R$ 2 mil, e a garagem pode ser interditada.
Uma artista plástica conviveu três anos com o problema. O incômodo era tanto que ela resolveu se mudar. O novo prédio nem garagem tem.
"Três horas da manhã, você dormindo, e a sinaleira tocando direto. Eram mais ou menos oito à minha frente. Agora, vim pra cá, é um sossego, tem passarinho cantando na janela. É ótimo!", comemora Vivian Rossana, artista plástica.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que mediante denúncia através do serviço Disque-Barulho providencia vistoria técnica nas sinaleiras. O telefone para as reclamações é 2503-2795.
Fonte: RJTV - 10 de setembro de 2003